O princípio de toda dança é sua base, sua postura. Os pés sustentam essa postura, que é diferente em cada tipo de dança. Na base da dança do ventre, os pés ficam paralelos um ao outro, apontando para frente, distantes na largura do quadril, que fica encaixado. Podem ficar em ‘meia ponta’, os dois juntos ou apenas um dos dois, o que dará a mobilidade do quadril.
As danças folclóricas são dançadas, geralmente, sem sapatos. Estar descalço é estar em contato direto com o chão, o que significa ligar-se à terra, reverenciá-la. Nessas danças os pés pisam no chão por inteiro na maior parte do tempo (pelo menos um deles). São comuns movimentos de batidas fortes do pé no chão, seguindo o ritmo da percussão. Uma dessas danças, o Dabke (que significa ‘bater o pé no chão’), surgiu com o objetivo de juntar comunidades para assentar o barro no forro das casas, durante o frio do inverno. São danças em grupo, muito alegres e vigorosas.
O pé sustenta o corpo inteiro, e pode concentrar todo o seu peso e força. Assim, um movimento do pé a favor da gravidade pode concentrar a maior força do corpo, sem que se faça muito esforço muscular. Chutes são os golpes que contém a maior força que o homem é capaz de despender. Movimentos do pé batendo no chão, dando pequenos pulos, demonstram vigor e força, além de alegria e energia vital. Ao fazermos tal movimento, sentimos nossa própria força, ficamos cheios de energia, revigorados = ‘re-vigor’: nosso vigor se reflete na terra, volta a nós, e o sentimos – sentimo-nos fortes e dispostos, alegres e vivos.
Um movimento comum na dança do ventre, e fascinante, é quando os calcanhares batem no chão e o corpo todo treme. Não é necessária força quase alguma para tamanho efeito, a não ser o contrapor da própria massa corpórea à força da gravidade, a partir de um pequeno movimento feito pelos pés (articulação do tornozelo). O impacto dos pés no chão provoca uma reverberação no corpo todo, como se o corpo estivesse sendo animado pela terra.
Os saltos, nessa dança, também surgem de movimentos dos pés. A articulação no tornozelo levanta o corpo todo, e quanto mais rápido é o movimento, maior a distância entre o chão e o corpo. É impressionante como o pé, relativamente tão pequeno, é capaz de sustentar o corpo inteiro, com todo seu peso, e, além disso, impulsioná-lo da terra ao ar com tamanha agilidade e leveza.
O movimento que mais impressiona na dança do ventre é a queda (‘queda turca’). Geralmente após girar ou fazer algum movimento muito agitado, a dançarina se joga no chão, de joelhos dobrados, deitada ou sentada. Os observadores não entendem como ela não se machuca, como seus joelhos não se ‘esfolam’ no chão. O segredo está nos pés. Os pés dão o equilíbrio para o corpo cair da forma desejada, e, além disso, é seu movimento que o faz cair. Tensionando os dedos para que não se dobrem (torçam), o apoio passa, rapidamente, da sola do pé para o peito do pé, o que dá a impressão de se estar despencando sobre os joelhos.
Os pés, normalmente, na maioria das danças do mundo, seguem o ritmo da percussão. A percussão é tocada com as mãos (ou pés) batendo na superfície do instrumento, assim como o dançar consiste nos pés ‘batendo’ no chão, a superfície da terra. Em muitas tradições, a dança faz parte da música, por meio do barulho que os pés fazem ao bater no chão, marcando o ritmo básico da música. A coordenação motora, a ser treinada na dança, começa pela coordenação entre o movimento dos pés e o ritmo.
Os pés são a principal parte do corpo que segue o ritmo básico das músicas, na maior parte das danças. É a base que sustenta o movimento da dança e o ritmo da música. É por onde o homem se ‘aterra’, por onde começa seu contato com o mundo, a terra, e com a música, o ritmo. A dança é gerada a partir dos pés. Eles são a base da dança – seu princípio, semente, embrião.
Associação livre: Terra – estabilidade, equilíbrio, centralidade, força, solidez, concreto, limite (ritmo quebrado da percussão; cair até o chão, no máximo), vigor, foco, concentração, perseverança, resistência, coordenação motora, ‘Mãe-Terra’, acolhimento, confiança, conservação, preservação, nutrição, apoio, sustento, raiz, ‘pessoa com o pé no chão’ = centrada, aterrada, enraizada, consciente, equilibrada, realista, íntegra, confiável, responsável. Capricórnio, Touro, Virgem; agricultura, fertilidade, fecundidade...


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